Savage Worlds IN Review #9: Reinos de Cthulhu
Artigo original escrito por John Arcadian
Um longo tempo atrás, um dos nossos companheiros gnomos, DNAPHIL, ofereceu aos leitores a chance de escolher o livro que ele adquiriria na Gencon para uma review. Os dois escolhidos foram os novos Hackmaster e Reinos de Cthulhu (que vou abreviar como RoC – Realms of Cthulhu). Phil pegou sua cópia do Hackmaster e escreveu as reviews aqui e aqui (em inglês). Peguei o RoC e deixei empilhado com uma enorme quantidade de projetos, na esperança de obter um playtest e alguma experiência com o sistema do Savage Worlds antes de escrever sua review. Nenhuma destas coisas aconteceu até Con on the Cob 2009. Eu joguei uma boa aventura de Savage Worlds com o criador do Reinos de Cthulhu, Sean Preston.
A Confissão
Desde que Phil sentiu a necessidade de fazer uma confissão em sua review, vou fazer uma confissão também. Eu sou um grande fã de H.P. Lovecraft, digo, GRANDE. Minha coleção de livros de áudio contém algumas histórias lovecraftianas e minha estante tem mais do que algumas versões de várias coleções de seus trabalhos. Costumo adormecer escutando Dreamquest of Unknow Kadath da Guerilla Productions. Há rumores de que meu carro tem uma placa de licença titular de Miskatonic University. Desnecessário dizer que eu estava animado para saber sobre os Reinos de Cthulhu. Eu também gostaria de dizer que comprei a cópia para minha coleção, já que os leitores do Gnome Stew queriam ver uma review do RoC. Não houve nenhuma cópia do grupo envolvida. Com isso fora do caminho, vamos a review!
O Sistema Base
O sistema de Reinos de Cthulhu é o maravilhoso sistema do Savage Worlds. Um sistema cujo lema promete uma jogabilidade “Rápida! Furiosa! Divertida!” e faz um bom trabalho em relação a ele. Eu não vou fazer uma review do sistema do Savage Worlds. Kurt fez isso aqui (em inglês). Leia-o se você não estiver familiarizado com Savage Worlds, necessário para jogar Reinos de Cthulhu.
Os Ossos do Livro
O primeiro lugar que olho para ter uma idéia do novo livro é a tabela de conteúdos. Isso me dá uma sensação do que o livro é e como ele é apresentado. Olhando para a paginação, me diz o quanto o livro se dedica a cada seção e, portanto, o que os designers acharam que era mais importante.
- Intro – Criação de personagens e todas as novas habilidades, complicações e vantagens que estão contidos no livro. Ele também define as três épocas sugeridas pelo RoC (1890, 1920 e moderno).
- Equipamentos – A seção que estabelece o transporte e as opções de arma, estatísticas e os custos para as três eras.
- Regras de Cenário – Este capítulo introduz algumas alterações ao sistema de Savage Worlds, a fim de melhor simular a sensação do Cthulhu. Enquanto Savage Worlds tem um sistema de medo, há mais nos contos de Lovecraft do que apenas o medo. RoC acrescenta um sistema de Sanidade e Corrupção para mostrar melhor o efeito nas mentes dos seres humanos daquilo que não deve ser conhecido. Ele também fala sobre o estilo de campanha e maneiras diferentes de fazer dano tanto para o estilo corajoso quanto para o pulp.
- Os Mythos de Cthulhu – A seção de Mythos de Cthulhu é onde começa a seção do mestre. A seção de Mythos é sobre como configurar uma campanha para RoC e como tirar o máximo de proveito do livro e do estilo de Lovecraft. Não é a maior seção do livro, mas é certeira, além de uma grande leitura para quem deseja obter a sensação de o livro.
- Questões sobre Magia - A seção de magia deste livro fala de duas coisas. Livros dos Mythos, livros sobre o desconhecido que pode render muito conhecimento, e magia, que pode ser aprendido de tais livros. É uma excelente seção para mestres que querem inserir um livro deste conhecimento em sua campanha e, eventualmente, permitir que os jogadores aprendam algumas das magias proibidas.
- Contos sobre os Mythos – A parte boa do livro é o a seção dos contos sobre os Mythos. Ele contém um gerador aleatório para você reunir elementos lovecraftianos suficientes para criar uma aventura, além de alguns já criados e desenvolvidos para você jogar em suas aventuras.
- Mistérios de Drake Manor – Outra seção dedicada à aventura que estabelece uma localização inteira, habitantes e os pontos de trama que pode ser descartado em sua aventura atual. Também inclui uma aventura sobre os mythos completa para você jogar na mansão.
- Cidadãos e Habitantes – Uma lista inteira de criaturas e pessoas para você usar em seus jogos.
- Conversão de Cthulhu (CoC) – Uma curta, mas robusta, seção sobre a conversão de elementos de Call of Cthulhu para Reinos de Cthulhu.
Adições e Mudanças no Sistema Savage Worlds
RoC faz algumas alterações e adições ao sistema do Savage Worlds, com o objetivo de refletir melhor a sensação de horror de Lovecraft. Personagens são construídos como os personagens tradicionais de Savage Worlds com a adição de 2 novas áreas: Sanidade e Corrupção. A sanidade é uma estatística secundária que determina a resistência mental de seu personagem. A corrupção é um atributo que reflete o seu contato contínuo com o indizível. Ele começa em nada, mas aumenta a medida que o conhecimento do seu personagem evolui. Combinadas, essas duas áreas fazem um trabalho muito bom de mecânica, representando o contato de seu personagem com os horrores do mundo e sua capacidade para permanecer são, apesar do contato.
As regras de sanidade são bastante complexas, mas oferece um quadro para que os jogadores utilizem quando sofrem efeitos mentais. Loucura pode ser incrivelmente difícil de lidar em um jogo, mas é um grande fator dos Mythos de Cthulhu. As regras de sanidade e loucura são uma ajuda comprovada para lidar com as questões da loucura e como se curar delas, um pouco.
RoC também adiciona algumas novas complicações, habilidades e vantagens, bem como não permitindo algumas vantagens que arruinariam a sensação de uma aventura no estilo Cthulhu. Ele também adiciona um novo elemento chamado Interesses*. Interesses são derivados da sagacidade dos personagens. Eles não são habilidades em si, mas garantem um bônus de +1 em um rolo de conhecimento comum quando o interesse é relevante. Isso ajuda a definir os interesses auxiliares do personagem ao torná-los mecanicamente relevantes para o jogo.
*Nota: eu não encontrei um texto definitivo que estabelece os interesses como exclusivos para RoC, mas não consegui encontrar nenhum outro texto que o mencione em qualquer outro livro do Savage Worlds que possuo ou em qualquer pesquisa que fiz.
Uma grande ajuda para os Mestres
A seção de mestre do RoC é significativamente maior do que a dos jogadores. Uma coisa que você não pode deixar de notar é que o livro se esforça para ajudar o mestre em executar um bom jogo Lovecraftiano. Quadros laterais são encontrados em todo o livro. Cada um contém informações que um mestre pode encontrar utilidade para a seção.
RoC tem uma grande seção com informações sobre os mythos e sua sensação. Muita atenção é dada à forma de como um conto sobre os mythos é construído e quais elementos deve conter. Para tal, o livro tem uma seção inteira sobre a criação de contos sobre os mythos e inclui um gerador para rolá-los aleatoriamente para obter inspiração. Além disso, quatro contos sobre os mythos são fornecidos como um ponto de partida. RoC também contém informações sobre estilos de jogo diferentes e como classificar a sua campanha em uma escala mental / físico e corajoso / pulp.
Há dois capítulos na seção do mestre que não se concentram nos contos sobre os Mythos ou conselhos ao mestre: os de magia e PdMs. Questões sobre Magia começa falando sobre o conhecimento proibido e os tomos e livros antigos, extraídos diretamente das próprias histórias de Lovecraft. Isso configura uma linha de trabalho onde os investigadores poderiam pesquisar magias, mas também funciona como uma excelente referência para o mestre soltar um tomo antigo em seu jogo. O resto da seção lida com as magias especificas dos Mythos utilizadas pelos cultistas, sacerdotes sombrios, e, por vezes, os próprios investigadores. A maioria referem-se à convocação de criaturas ou deuses, e cada um tem as suas próprias condições de quando e onde eles podem ser invocados. Outras mágicas incluem maldições pavorosas, a criação de sigilos e de sinais ou alguma magia de combate modificadas para uma sensação mais lovecraftiana. Toda a magia em RoC ter algum tipo de preço assumido pelo invocador.
O outro capítulo na seção do mestre é o capítulo de Cidadãos e Habitantes. É onde você encontra o elenco de suporte como PdMs, cultistas e suas criaturas servos, e mesmo os Elder Gods e Great Old Ones. É muito estranho ver algo escrito sobre o Great Old Ones ou os Elder Gods, mas não há blocos de estatísticas para estes terrores além da imaginação e é preciso muito cuidado até mesmo na introdução desses elementos. Para mim, uma das melhores coisas sobre a Mythos é a sensação de que a humanidade pode conhecer muito pouco sobre a verdade dessas coisas horríveis e terríveis que estão além das coisas imagináveis. RoC realmente funciona muito bem como um guia para todas estas coisas, que apesar de estranho, é necessário. Ele também brilha ao disponibilizar os servos destes seres inimagináveis para o mestre. Mudando para a seção certa, lhe dá toda a informação que você precisa para colocar Nightgaunt, Mi-Go ou um membro da Grande Raça de Yith em seu jogo, completo com efeitos perturbadores de sobre os personagens.
Design e Arte
O desenho e o estilo das ilustrações para um livro como este são muito importantes para mim. Ao abordar os Mythos sobre Cthulhu, certa sensação deve ser mantida, a fim de interessar os jogadores. O desenho e o fundo dão a sensação de ver algo velho e mítico sem atrapalhar o texto. Textos laterais são feitos de pedaços de papel que estava sobre o pergaminho “molhado” das páginas principais.
A arte do livro realmente aparenta um cenário pulp de 1920. É repleto de pessoas olhando para as coisas insondáveis, pesquisadores pesquisando através de antigos tomos proibidos, e cultistas evocando horrores pavorosos. A arte dos reais horrores Lovecraftianos faz um bom trabalho de não cair na armadilha de olhar como monstros de um jogo de fantasia. Criaturas são freqüentemente mostradas apenas parcialmente ou, se mostrado plenamente, com toda a sua sanidade negando brilho.



Observação por G. Moraes: A planilha de RoC é uma das melhores que já vi, mas isso é o que se pode esperar das planilhas de Cheyenne Wright (além de ilustrador, a maior parte das planilhas que acompanham um cenário de Savage Worlds é desenvolvida por ele).
E faz Cthulhu?
Minha grande questão ao fazer essa review era se ele conseguiria repassar a sensação dos Mythos de Cthulhu Lovecraftianos. Minha conclusão final? Reinos of Cthulhu, definitivamente, captura a sensação do Cthulhu. Combinado com a mecânica de jogabilidade do Savage Worlds, um sistema feito para os jogos pulp, a multiplicidade de criaturas dos mythos e aventuras, e muitos conselhos para os mestres, trabalham em conjunto para criar um grande jogo. Se você está procurando um bom jogo de horror para histórias Lovecraftianas, eu sugeria isso.
[]’s



Resenha bem feita!