“No topo de uma montanha da Bavária, existe de fato um castelo, construído por um rei louco.
Um rei que imaginava histórias, com personagens reais e lendários que viviam grandes aventuras, travavam ferozes batalhas, criavam máquinas fabulosas.
Essa é a história de um mundo fantástico, onde você pode viajar no Nautilus com o Capitão Nemo, ajudar Sherlock Holmes a desvendar um mistério ou perseguir o Conde Drácula pelos becos sombrios de Londres.”

Castelo Falkenstein

 

Castelo Falkenstein é um RPG de mesa de fantasia vaporpunk (um subgênero literário que imagina engenhocas tecnológicas ainda na era do vapor) criado pelo designer Mike Pondsmith e lançado originalmente em 1994 pela R. Talsorian Games.

Considerado por muitos um dos melhores RPGs de todos os tempos, foi vencedor do prêmio Origins Award. É um jogo revolucionário para sua época e conta com vários aspectos inovadores, entre eles, a subversão do típico uso de dados no RPG em favor do uso de cartas e o abandono do uso de fichas de personagem, sugerindo aos jogadores o uso de um diário.

O livro é narrado sob a perspectiva de Tom Olam (que descobrimos ser um alter ego do autor) e segue uma interessante linha conceitual: trata-se do diário de Olam, que narra sua viagem do nosso mundo para a Nova Europa, o mundo de Falkenstein. Olam (ou Pondsmith) divide o livro em duas partes. Na primeira, narra seu envolvimento com a corte de Luís II da Bavária em uma guerra contra o Chanceler de Ferro, Otto Von Bismarck, descrevendo o cenário de Castelo Falkenstein ao leitor. Na segunda parte, o autor brinca com seu alter ego (que também é um game designer), relatando que esse resolveu incluir notas de como experimentar a vida na Nova Europa com um jogo de RPG, “o Grande Jogo”.

Cenário

Ambientado na Nova Europa, uma versão vitoriana fictícia da Europa histórica com um ar mais otimista e com elementos de fantasia clássica (elfos, anões, dragões, etc.), Castelo Falkenstein contrapôs os jogos de horror pessoal que eram moda na época de seu lançamento, assim como a própria obra de Pondsmith – Cyberpunk 2020 (grande sucesso de sua autoria) é ambientado em um futuro sombrio, enquanto Falkenstein é uma alta aventura na era do vapor! A idéia de um lugar mais otimista já se apresenta no título. Em nosso mundo, o Castelo Falkenstein nunca passou de um amontoado de ruínas. Na Nova Europa, Luis II da Bavária (que em nosso mundo foi Luís, o Louco), conseguiu transformar o lugar em um castelo digno dos contos de fada.

Todo tipo de personagem de fantasia pode ser encontrado na Nova Europa. Anões, elfos, dragões e uma verdadeira sociedade composta por fadas, caminham ao lado de personagens clássicos da literatura da época vitoriana. Os jogadores podem interagir com Sherlock Holmes, John Carter, Capitão Nemo e outros, com um detalhe interessante: é comum ver os autores do nosso mundo convivendo com seus personagens na Nova Europa.

Há magia na Nova Europa, assim como escolas de magia. Elas são divididas em ordens, variando em poder, ambição e prática. Também existem maquinas à vapor, que vão desde o mecanismo mais simples até as máquinas infernais construídas pelos gênios malignos para dominar o mundo.

E claro, a Nova Europa é repleta de aventuras! Inspirado em obras como Prisioneiro de Zenda, A Princesa Prometida e nos clássicos da literatura do final do século XIX, sempre existe uma princesa (ou príncipe) a ser salvos de um destino pior do que a morte, um plano terrível engendrado por um biltre vilão que quer dominar o mundo ou uma maldição terrível que deve ser desfeita.

Quem é Mike Pondsmith?

Todo esse mundo fantástico veio da cabeça de um cara chamado Mike Pondsmith, game designer norte americano, fundador e CEO da editora R. Talsorian Games. Ele trabalhou por muito tempo na indústria de jogos digitais, no meio acadêmico e mais recentemente, presta consultoria no desenvolvimento do jogo Cyberpunk 2077 da CD RED PROJEKT (derivado de seu jogo Cyberpunk 2020).  Cyberpunk 2020, aliás, é provavelmente sua obra mais famosa e conforme citamos, traz o subtítulo: “Um RPG num futuro sombrio”, tornando o jogo uma antítese a Falkenstein. É um jogo ácido, brutal e pessimista, seu guia do jogador é intitulado: “Escutem bem seus imbecis primitivos”, e discute basicamente, métodos de sacanear seus jogadores. Com isso em mente, ele criou um jogo mais leve, mais otimista e até mesmo mais simples de um ponto de vista mecânico, Castelo Falkenstein.

Por enquanto é só, no próximo texto abordaremos toda a coletânea de suplementos de Castelo Falkenstein, falando inclusive dos mais recentes títulos lançados pela Fat Goblin Games, em um acordo com a R. Talsorian Games, para revitalizar a linha.